
Tamara Insauriaga Bueno - 20/10/2020
Pesquisa em documentos orientadores, normativos e reflexivos para educação infantil em tempo de pandemia
Para realização dessa atividade, optei por selecionar documentos (e outras produções) que contivessem orientações sobre como agir e proceder neste momento. Alguns dos materiais selecionados são mais voltados para as educadoras, outros para pais e responsáveis e outros para as crianças, contudo, todos buscavam priorizar abordagens que dessem maior visibilidade para as possibilidades e que tirassem o foco dos diversos pontos negativos que já conhecemos. Essa escolha foi motivada por entender que as limitações e barreiras decorrentes desse cenário já são muitas e amplamente divulgadas. Logo, não sinto necessidade, nesse momento, de trazer documentos que ressaltem práticas que não devem acontecer, atitudes que os professores não devem ter ou que deem ainda mais ênfase para aquilo que não teremos oportunidade de experienciar. Isto posto, os documentos que serão abordados ao longo da atividade buscam também traçar uma “linha do tempo documental da pandemia”. Minha intenção é trazer diferentes materiais emitidos durante a pandemia referentes aos meses em que estamos em isolamento social. Desse modo, trago as produções correspondentes aos meses de março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro de 2020.
Os materiais selecionados para análise são: Março - Recomendações para apoiar o bem-estar emocional das crianças durante a pandemia da COVID-19; Abril - É tudo verdade?; Maio - Guia de Vivências em Tempos de Pandemia - Educação Infantil - Volume I; Junho - Um olhar para as infâncias conectadas; Julho - Amorosidade e Educação Infantil na Pandemia; Agosto - 25 de agosto: Dia Nacional da Educação Infantil; Setembro - O retorno das professoras da creche; Outubro - Protocolo de segurança para retorno às aulas presenciais.
Recomendações para apoiar o bem-estar emocional das crianças durante a pandemia da COVID-19
O documento escolhido para o mês de março foi as “Recomendações para apoiar o bem-estar emocional das crianças durante a pandemia da COVID-19”. Originalmente, estas recomendações foram publicadas pelo site da organização “Child Trends”1 sob o título “Resources for Supporting Children’s Emotional Well-being during the COVID-19 Pandemic”2, posteriormente, o artigo foi traduzido e publicado pela página da “Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal”3. Conforme as informações disponíveis na página da fundação Child Trends, a mesma conta com um grupo de profissionais especializados das áreas de: educação, psicologia, serviço social, saúde pública, dentre outros. O documento foi publicado em português em março de 2020, nesta época, o Brasil se deparava com manifestações políticas em apoio ao presidente, que transgrediram as recomendações de saúde, as quais frisavam a importância do distanciamento social e das aglomerações que deviam ser evitadas. Ainda em março, o Brasil fechou suas fronteiras terrestres e aéreas e entrou em vigor o Decreto de Calamidade Pública. No cenário mundial, no dia 11 de março de 2020, foi decretado pela Organização
Mundial da Saúde que o coronavírus (COVID-19) atingiu o status de pandemia.
Neste cenário, foram publicadas as Recomendações para apoiar o bem-estar emocional das crianças durante a pandemia da COVID-19, as quais são divididas em pequenos subtópicos que se ocupam de discorrer sobre as recomendações elencadas. Por entender que as palavras razão-emoção e lógica-sensibilidade correspondem a processos indissociáveis e não antônimos, como dito por Damásio (1994), ressalto a importância da produção feita pelo Child Trends, por abordarem ao longo do documento um assunto, entendido aqui, como de extrema importância para o campo educacional, não se detendo a este.
Logo no início das recomendações, consta que “Além de manter as crianças fisicamente seguras durante a pandemia da COVID-19, também é importante cuidar da saúde emocional delas.” (p. 2). Afirmações como esta corroboram para a percepção de uma ideia de integralidade e uma preocupação com a criança enquanto um sujeito que sente, sente medo, ansiedade e que também é afetada pelas mudanças ao seu redor. Da mesma forma que nós, o documento afirma que as crianças podem “desenvolver problemas significativos de saúde mental, incluindo estresse, ansiedade e depressão relacionados ao trauma.” (p. 2), ressaltando novamente a importância de um cuidado para com as emoções e os sentimentos que, ao meu ver, deve estar incluso nas propostas de trabalho apresentadas nesse momento.
Não tenho a intenção de elencar as recomendações mais ou menos importantes, uma vez que as entendo como complementares e igualmente necessárias. Contudo, destaco aqui duas das recomendações que me fizeram trazer este documento como “representante” do mês de março: “Entenda que as reações à pandemia podem variar” (p. 2) e “Crie oportunidades para os cuidadores cuidarem de si” (p. 4).
É importante salientar que as infâncias são plurais, as crianças possuem processos de desenvolvimento muito únicos e particulares. Ainda que exista uma estimativa aproximada sobre o que deve ser feito na idade X ou na etapa Y da educação infantil, nem todas as crianças farão isso ao mesmo tempo, em especial no cenário em que nos encontramos, mas isso não significa que a criança está “atrás” dos colegas ou que ela “perdeu” um ano letivo. Com isso, chegamos até a segunda recomendação que destaco. É importante que os pais ou responsáveis cuidem de si, um ambiente acolhedor, sensível e que seja emocionalmente seguro para a criança se desenvolver, só será possível se os pais ou responsáveis cuidarem também de si mesmos.
As informações que o documento analisado traz, bem como a forma como essas informações são organizadas, faz com que ele seja acessível não apenas a educadores, mas também aos pais e responsáveis. Somado a isso, a ampla experiência da equipe que participa da Fundação Child Trends também corrobora para importância e interdisciplinaridade do bem-estar emocional das crianças.
Como fica a educação infantil em meio à pandemia de Covid-19?
O mês de abril, no Brasil, iniciou com a disponibilização do auxílio emergencial de R$600,00 para a população, após, por questões econômicas, o presidente criticou o isolamento social, em seguida enfrentamos a demissão do então ministro saúde, Henrique Mandetta, que defendia as recomendações dadas pela Organização Mundial da Saúde. No cenário internacional, os infectados pelo coronavírus atingiram a marca de 1 milhão. E, neste cenário, foi publicado o artigo: “É tudo verdade?”.
O artigo feito pela professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Priscila Basílio, discorre de maneira genial sobre as relações entre pais/responsáveis e filhos no atual cenário. Partindo de uma interessante contextualização sobre nossas relações, a autora fala sobre os eixos que, segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), são base para nossa construção enquanto seres humanos, sendo eles as nossas interações e brincadeiras.
Sempre se mostrando ciente da diversidade e da desigualdade social e cultural em nosso país, a autora traz em sua escrita a recomendação: “O que eu aconselharia às famílias [...] é: brinquem! Brinquem, brinquem muito com seus filhos!”. Reforçando a importante ideia de que os pais não são professores, Basílio pede que estes não se sintam mal por isso, afinal, as possibilidades de coisas que eles podem ser, são muitas. Indo ao encontro dessa consideração, a autora ainda afirma que: “O que podemos oferecer às crianças, agora [...] é condição para a existência plena: um cotidiano brincante ...”, sendo esta uma importante orientação para os pais e responsáveis nesse momento.
Os pais sempre ocuparam um grande papel no desenvolvimento das crianças, e, agora durante o isolamento social, muitos sentiram necessidade de “ir além”. Como apontado pela autora, os pais não precisam dar conta dessas demandas, e não devem se frustrar por isso. Como forma de guiar os pais, as orientações e sugestões feitas ao longo do artigo, bem como a forma como essas orientações encontram-se dispostas, podem contribuir grandemente para àqueles que se interessam no desenvolvimento das crianças, mas que não são educadores.
A autora apresenta como sugestão para esse momento brincadeiras no campo da imaginação e brincadeiras tradicionais de antigamente, relatando que a perda dessas práticas nos deixa “quase mudos”. Questionando a ideia de “perder tempo”, o texto nos incita a pensar no que prestamos atenção, nas coisas que consideramos importantes.
Longe de querer amenizar ou romantizar o momento em que nos encontramos, ou nos encontrávamos na época da publicação, a autora nos faz refletir sobre o que iremos aprender com esse momento, como nossas relações serão ressignificadas, uma vez que, quer queiramos ou não, todos nos adaptamos a um novo estilo de viver e existir. Em função do tema abordado, das críticas e reflexões que nos sentimos instigados a fazer com a leitura, entendo que ela seja relevante para pensarmos nossas relações, agora e futuramente, em um cenário pós-pandemia.
Guia de Vivências em Tempos de Pandemia - Educação Infantil - Volume I
O documento selecionado para o mês de maio foi o “Guia de Vivências em Tempos de Pandemia - Educação Infantil - Volume I”4, produzido pela Universidade Federal da Paraíba, Centro de Educação - Escola de Educação básica. Neste período, entre outras coisas, o Brasil passava por mais uma troca de Ministro da Saúde, enfrentava discordâncias acerca da flexibilização do isolamento social e deparava-se com os dados que colocavam o Brasil como o segundo país com mais casos de coronavírus e o terceiro com mais mortes no mundo.
Neste cenário, com atividades direcionadas para experiências em torno da família, o documento organiza-se em vinte vivências idealizadas para o mês de maio, que surgem como uma resposta a suspensão das atividades escolares presenciais devido ao Covid-19. O Guia “trata-se de um material sugestivo que pode ser útil para potencializar com organização e ludicidade as rotinas das crianças do Infantil III, IV e V da EEBAS.”5 (p. 4).
Todas as atividades que compõem o material apresentam, além de diferentes versões para sua execução, diferentes opções de materiais para sua produção. Por exemplo, quando sugerem um desenho, dão como possibilidade de materiais para a execução da atividade “palitos de picolé ou de fósforo, recortes de jornais ou de revistas, tintas, lápis de colorir, giz de cera, entre outros” (p. 10). Ou, quando sugerem a confecção de instrumentos musicais e incluem na descrição da atividade os materiais que a criança têm a disposição em casa, “Olhem as imagens abaixo e se inspirem, criando a partir de objetos que vocês tenham em casa.” (p. 28). Ao pensar e incluir no Guia diferentes ferramentas para execução das atividades, percebe-se uma preocupação com a realidade das diversas famílias as quais esse material é destinado, que possuem diferentes condições e acessos. A apresentação de diferentes formas e de diferentes materiais para executar uma mesma atividade vai além de uma ampliação do repertório de possibilidades criativas da criança, representa, na atual situação, respeito e inclusão das diferentes realidades familiares.
Além das propostas de atividades, ao final do documento se encontram “dicas da Coordenação Pedagógica, Serviço social, Saúde e Nutrição.” (p. 6) para os pais ou responsáveis. Desta forma, subentende-se que na EEBAS a educação é abordada de forma integral, uma vez que as orientações são destinadas às famílias que possuem participação ativa em todas as atividades propostas e, com o auxílio do documento, passam a ter acesso a informações importantes sobre assuntos como: as emoções durante a pandemia, o cuidado de si e do outro, exemplos de práticas parentais para reflexão, saúde e alimentação e produção caseira de máscaras de proteção, assuntos que possuem relação e afetam diretamente a educação das crianças e suas famílias.
Acredito que a forma como as atividades e as informações são apresentadas ao longo do Guia, parte de uma colaboração previamente estabelecida entre pais/responsáveis e as professoras, entendo que os pais não passam a ser professores substitutos nesse momento e que a escola e a casa possuem especificidades que devem ser levadas em consideração. Em todas as atividades, a participação dos pais está prevista e sempre de forma a manter o protagonismo, a autonomia e a criatividade da criança, os respeitando e estimulando. Entendo que essa colaboração entre ambas as partes seja possível somente pela concepção de criança que os pais e professoras possuem, sendo elas entendidas como alguém “que pensa e age de uma maneira muito própria, por isso, necessita ser amada e respeitada.” (p. 4). A visão da criança como um sujeito com vontades, desejos e dona de conhecimentos próprios, torna as aprendizagens construídas ao longo das experiências propostas pelo Guia ainda mais importantes para o seu pleno desenvolvimento.
Em função das concepções de educação e criança adotadas pelo documento, pela forma como as atividades são descritas e planejadas e pelas orientações que se encontram no Guia, considero que o mesmo cumpra com maestria sua proposta de proporcionar às crianças uma rotina com “alegria, diversão e muito aprendizado” (p. 4), sendo entendido como um documento importante para guiar nossas atividades nesse momento.
Um olhar para as infâncias conectadas
Para o mês de junho selecionei uma matéria do Portal Lunetas6. O site é uma iniciativa do Instituto Alana7, voltado para famílias e pessoas interessadas por infâncias. Desta forma, ainda que a pesquisa não tenha contado com a participação de nenhuma criança da educação infantil, trago o material desenvolvido pelo portal, primeiramente pelo conteúdo abordado em sua reportagem, mas também pela forma como estes conteúdos são organizados e pelo caráter da importante discussão abordada. No mês de junho, o então Ministro da Educação anunciou sua saída do governo, os infectados pelo coronavírus já chegavam a 12 milhões
Abordando de maneira única e interativa um dos assuntos que mais esteve em evidência nos meses em que estivemos isolados, o Portal Lunetas discorreu sobre tecnologias e infância, em uma matéria intitulada “Um olhar para as infâncias conectadas”. Além de apresentar uma contextualização necessária e objetiva sobre o tema, o site disponibilizou ainda os resultados de um questionário feito com crianças entre 7 e 12 anos de diversos lugares do Brasil. Os resultados também podem ser encontrados em vídeos/relatos feitos pelas crianças separados por temáticas específicas da discussão infâncias e tecnologia.
Dou ênfase para abordagem feita pelo site que se preocupou em fazer um levantamento diretamente com as crianças e que também teve o cuidado de trazer relatos de crianças de diversos locais e realidades. Ou seja, valida-se ainda mais a relevância da produção. Buscar saber a opinião das crianças sobre este momento e sobre as tecnologias revela uma concepção de criança coerente com a dos demais materiais que compõem essa escrita, sendo esta alguém que pensa, têm vontades, desejos e necessidades.
Para além de fazer uma crítica às - já conhecidas - deficiências e falhas das tecnologias, o Portal busca trazer a visão das crianças sobre as experiências que estão tendo, pontos positivos e negativos. Diferente da visão adultocêntrica e planejada, as respostas espontâneas e verdadeiras dadas pelas crianças são um importante retorno das práticas que vieram acontecendo até o momento. Entendo que devemos partir deste retorno sincero e autêntico para futuros planejamentos e ideias que tenhamos.
Amorosidade e Educação Infantil na Pandemia
Ao final do mês de julho, no canal da plataforma Youtube intitulado “Gabriela Tebet”, ocorreu a live intitulada “Amorosidade e Educação Infantil na Pandemia”. Durante esse mês, no Brasil, dentre outras coisas, o Fundo de Desenvolvimento e Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb) foi aprovado permanentemente e as eleições municipais foram adiadas para novembro. No cenário internacional, o número de infectados pelo Covid-19 chegava a 21 milhões de casos.
A live da Gabriela Tebet, apesar de não poder ser classificada como uma produção que contém recomendações, compõe esse material pois, ao meu ver, traz reflexões e apontamentos que podem, e devem, ser levados em consideração por professores, pais e responsáveis. Logo no início é mencionado a importância de um diálogo entre os colegas, a importância da troca de experiências entre os pares e mais do que isso, a necessidade de um embasamento teórico para guiar nossas experiências nesse momento.
Dentre os questionamentos feitos pela Tebet, ela fala sobre o objetivo do contato que está acontecendo entre famílias e escolas. Como esse contato está acontecendo, ele apresenta risco para as crianças e famílias. É feito ainda pela Gabriela uma necessária contextualização sobre as realidades das famílias, sobre as adversidades que estão enfrentando e sobre a sensibilidade que precisamos ter.
É proposto pela Tebet a amorosidade como um compromisso, uma relação com amorosidade implica em não exigir, de nenhuma das partes (famílias - professoras) mais do que elas podem dar. O afeto possui um grande potencial transformador, portanto, pode e deve ser base para nossas relações nesse momento.
É possível - e necessário - pensar em novas formas de articulação do trabalho, trabalhos mais coordenados, que contem com o auxílio de gestores e com os diferentes setores que compõem esse processo. Respeitando sempre as especificidades de cada setor, é importante ter um diálogo.
Falando sobre a indissociabilidade entre cuidar e educar, é feito ao longo da live uma reflexão sobre como vai ser o cenário presencial e como está sendo agora. O medo, neste momento, deve ser base para o nosso trabalho, não pensando naquilo que não podemos fazer, mas em como fazer com segurança aquilo que pretendemos, uma vez que nossas ações afetam muitas pessoas.
A live nos faz refletir sobre o impacto dos afetos e das “afetações” da nossa presença, sobre a professora como uma figura importante e sobre como a escola precisa estar e ser presente com as famílias. A amorosidade é apresentada como uma proposta para acolher as demandas que chegam, como uma educação mais humana e muito necessária nesse momento. Por esta razão, pelo teor da discussão feita, e pela relevância dos assuntos abordados, esta live compõem este levantamento.
25 de agosto: Dia Nacional da Educação Infantil
Para o mês de agosto foi selecionada a matéria publicada pela página oficial da Defensoria Pública do Estado do Paraná. Nesse mês, as queimadas do Pantanal, uma das maiores reservas da biosfera do mundo, tiveram um alto foco de calor detectado, foi determinada a confirmação das medidas de proteção a grupos indígenas durante a pandemia e, no cenário mundial, o número de infectados pelo Covid-19 aproximava-se dos 30 milhões.
De maneira direta e objetiva, a matéria inicia com uma introdução que resgata a importância da educação, destacando datas importantes que celebram o ensino, a matéria fala sobre o objetivo da educação infantil e sobre com esta etapa é fundamental para o desenvolvimento da criança. A matéria ainda nos apresenta os dados referentes às matrículas na educação infantil, relatando os preocupantes dados com os quais temos nos deparado.
Trago esta matéria para compor esse levantamento pelas pertinentes colocações acerca de onde se faz educação infantil. Nos é apresentado que “Apesar de estar diretamente ligada ao ambiente escolar, a educação infantil vai muito além da sala de aula. Isso porque a família e a sociedade exercem um papel fundamental na formação da criança.”, colocação que se aplica perfeitamente ao momento em que nos encontramos.
Indo ao encontro das ideias previamente expostas aqui, refletir sobre a educação infantil e sobre como ela se faz não apenas na escola, ressalta ainda mais a importância da participação dos pais e responsáveis nesta etapa e, além de reforçar a concepção integral de ensino, validando também os conhecimentos e experiências adquiridos fora do ambiente escolar.
Com isso, não se exime a importância dos docentes da primeira etapa, mas ressalta-se a necessidade de pontes e redes de contato que incluam toda a comunidade escolar, uma vez que ela é importante e faz parte do processo. Isto posto, por ir ao encontro de conceitos presentes ao longo deste escrita, por sua objetividade e acessibilidade na escrita, esta produção foi selecionada para o mês de agosto.
O retorno das professoras da creche
Para o mês de setembro escolhi a matéria “O retorno das professoras da creche”, publicada pelo site InnovArte8 originalmente sobre o título “El retorno de las maestras de infantil”. No mês da publicação da matéria, o Brasil enfrentava uma queda histórica em seu PIB, a insegurança alimentar na residência dos brasileiros aumentou e, no cenário mundial, chegou-se a marca de um milhão de mortos pelo Covid-19.
Optei por trazer esta produção por compreender que neste momento, dentre muitas outras coisas, as professoras foram também privadas de seus materiais. Poderia ser feita uma lista de coisas das quais as educadoras, por diversos motivos, deixaram de ter acesso, contudo, em função da abordagem da matéria, o foco neste momento, será para a “falta” ou “restrição” de materiais.
É importante começar dizendo que, em outros cenários e realidades, ter acesso à materiais variados pode ser um diferencial para realização de um trabalho de qualidade. Contudo, em nenhum cenário, o trabalho das docentes deve ser refém dos materiais aos quais esta tem ou não acesso, pois como já sabemos, este acesso não é garantia de práticas significativas. Indo ao encontro desta afirmação, o tocante relato da educadora publicado pela InnovArte, faz-nos justamente refletir sobre essa relação do trabalho docente e dos materiais.
Partindo de um exemplo próprio, a autora, que não é identificada, fez uma reflexão sobre uma prática “antiga”, do início de sua carreira docente. Mais atual que nunca, esta reflexão precisa ser feita pelas docentes que seguem trabalhando durante a pandemia, à distância ou presencialmente. As experiências que serão proporcionadas às crianças não devem se limitar aos materiais que elas vão usar para/durante a experiência. No atual cenário em que estamos, onde o contato não é recomendado, onde o isolamento é necessário, buscar e por em práticas outras alternativas é imprescindível e, mais do que isso, possível.
Apesar de a produção ter um caráter mais voltado para as docentes, entendo que ela deva ser lida por pais, gestores e demais funcionários ligados a escolas a instituições de ensino. Compreender que o trabalho docente não está/é ancorado em materiais - não tirando a importância e relevância destes - irá contribuir imensamente para o desenvolvimento das crianças. Uma comunidade escolar que entenda as limitações que o momento impõe está preparada para receber e buscar soluções mais efetivas e superem essas barreiras.
Isto posto, escolhi para o mês de setembro esta matéria por acreditar que, mesmo partindo de reflexões sobre práticas e experiências “antigas”, ela pode contribuir muito para nossas práticas e experiências no presente.
Protocolo de segurança para retorno às aulas presenciais
Para finalizar esse pequeno mapeamento, trago representando o mês de outubro o “Protocolo de segurança para retorno às aulas presenciais”. Optei por trazer essa produção por entender que, neste momento, é importante pensar em possibilidades e ferramentas que “diminuam o distanciamento entre nós”, mas é igualmente importante planejar o retorno, que em alguns lugares já acontece.
O Protocolo analisado conta com orientações destinadas às famílias e aos professores - aparecendo no documento com o subtítulo “Protocolo pedagógico”. Ademais se encontram no documento informações sobre o coronavírus, respondendo algumas questões como “o que é?”, “como é transmitido?”, “quais os sintomas?”, dentre outras.
O protocolo pedagógico conta com atividades físicas e acolhimento socioemocional, por exemplo. Da mesma forma, o protocolo para as famílias conta com o incentivo às crianças, que vai ao encontro de cuidado emocional. Desta forma, destaco que todos os pontos ressaltados em ambas as partes do documento são importantes, contudo, entendo que o cuidado com as recomendações emocionais, comumente esquecidos, tornam documento ainda mais completo.
O documento apresenta de maneira acessível e consciente informações importantes sobre o Covid-19 e também recomendações que visam um retorno seguro e possível. Compreende-se que nem todas as escolas consigam seguir as orientações do protocolo, contudo, é sugerido que este seja usado como um guia para basear os trabalhos presenciais. Cabe às instituições de ensino avaliarem suas realidade e possibilidades, para ofertar, ou não, ensino presencial. O documento sugere dividir em três fases o retorno ao presencial (p. 3), é necessário que as escolas tentem seguir estas fases para avaliar se podem oferecer um retorno seguro para as crianças e profissionais envolvidos.
Isto posto, conclui-se esse breve mapeamento com a afirmação de que cabe às escolas decidir se são capazes ou não de voltar, de forma que um serviço seguro seja oferecido às crianças e aos demais envolvidos. O mesmo deve ser base para o envio de atividades remotas, ou seja, as escolas devem avaliar o que está ao alcance delas nesse momento, as atividades que chegam até as crianças agora não devem ter apenas o papel de “manter contato”, elas são importantes, a presença da escola nesse momento é importante.
Referências
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BARLETT, J. D; GRIFFIN, J; THOMSON, D. Recomendações para apoiar o bem-estar emocional das crianças durante a pandemia da COVID-19. Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. Mar/2020. Acesso em: 12 out. 2020. Disponível em: <https://www.fmcsv.org.br/pt-BR/biblioteca/recomendacoes-apoiar-bem-estar-emocional-criancas-pandemia-covid-19/>.
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Disponível em: https://youtu.be/0hkL4vwI1RY