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Um pouco sobre o nosso trabalho...
Este ambiente virtual, criado em outubro de 2020, pela equipe de professores da área Educação Infantil (FaE/UFPel) tem a intenção de acompanhar as orientações e atividades realizadas neste campo durante a pandemia de Covid-19. Esta proposta de mapeamento e aproximação da Educação Básica é realizada dentro da disciplina de Práticas Educativas IX como forma de ressaltar o compromisso com a formação de professores e com o trabalho que tem ocorrido na Educação Infantil. Compreende-se o esforço de todos para continuar acompanhando as crianças e suas famílias, as professoras de Educação Infantil, as políticas públicas e orientações emitidas por diferentes organizações não-governamentais preocupadas com a saúde e bem-estar das crianças e das profissionais da educação.
A proposta considera que o momento de excepcionalidade exige uma outra forma de inserção no campo da Educação Infantil, especialmente, no que concerne à produção de mapeamentos das práticas e produção de uma memória sobre o momento pandêmico que a todos acomete. Este trabalho, orienta-se, principalmente, pelos seguintes princípios:
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1º Pesquisar e discutir - Desconstrução das práticas pré-escolarizantes que, com o distanciamento social vestem-se da roupagem do possível diante da impossibilidade das relações interpessoais presenciais na Educação Infantil. Parece que, quando se perde o chão da Escola Infantil, as posturas engessadas de uma pré-escolarização adultocêntrica ressurgem e se fortalecessem naqueles que por elas já vinham se orientando desde antes da crise pandêmica. Agora, o campo da Educação Infantil corre o risco dessas propostas travestirem-se de um caminho seguro e concreto também para aqueles que já procuravam práticas mais participativas e que consideram as crianças como sujeitos. Isso acontece, especialmente, quando os agentes dialógicos, que colocam essas discussões em perspectiva, como a Universidade e o curso de Pedagogia ou ainda as secretarias municipais de Educação e as gestões escolares se omitem e/ou se distanciam do campo da discussão da educação da infância. Todo o espaço que deixamos vazio é tomado por algo ou alguém. Ao abandonarmos as professoras, as famílias e as crianças ligadas às instituições de educação da infância à sua própria sorte, vamos desistindo de uma fundamental frente de combate à submissão da criança às lógicas sociais desumanizantes. Perdemos também uma frente de defesa das crianças como sujeitos peculiares - a quem devemos respeito - e das infâncias como tempo de criar sentido e construir narrativas sobre um mundo que se encontra em mudança e, com ele, as práticas de formação humana e profissional.
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2º Tornar visíveis as práticas de acompanhamento e pesquisa participante sobre os lugares das infâncias na supressão física da escola infantil ou na virtualização da escola infantil – a exigência da dimensão humana da docência neste momento de pandemia de Covid-19 caracteriza-se, de forma essencial e absoluta, na vinculação de docentes com as crianças e suas famílias e vice-versa. Esta relação demanda das professoras de Educação Infantil – e, portanto, também das futuras professoras - um trabalho de cunho multicultural de respeito às diferenças e valorização da diversidade. Sabemos que iniciar esse conhecimento na infância traz ao sujeito a oportunidade de compreensão de mundo, da sua própria realidade, do conhecer a si mesmo, da sua identidade, da maneira como ele deve agir diante das adversidades apresentadas e da importância de interagir com o diferente, de se relacionar com outras pessoas, sejam adultos ou outras crianças.
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3º Fortalecer o registro como forma de reconhecer as diferentes iniciativas docentes que auxiliam a manter os vínculos sociais das crianças e produzir redes de acompanhamento e bem-estar à comunidade escolar – Registrar as relações entre crianças/famílias/escola, compreendendo-as em seus contextos históricos e sociais, contribui para a desconstrução das práticas pedagógicas adultocêntricas propostas no 1º mapeamento e do conhecimento de si e do outro através de estudo multicultural apontados no 2º momento. Assim, o registro e a documentação pedagógica dos percursos emergentes compõem um instrumento de análise reflexiva dos processos que foram qualitativamente observados, analisados e interpretados pelas docentes (estagiárias), seus pares e pelas crianças e suas famílias envolvidas. Através da documentação cuidadosa, conferimos visibilidade ao projetos educativos multiculturais desenvolvidos, além de concretizarmos uma importante fonte informacional tanto para os envolvidos no trabalho educativo, quanto para outros interessados, incluindo um denso corpus textual e imagético do que foi realizado, experimentado e vivido, uma memória das mediações, narrativas, processos, produções e elaborações que, compartilhadas, produzem novas interpretações que interpelam o passado, nos ajudam a compreender o presente e projetam o futuro.