
Nesse espaço do site estão disponibilizados os mapeamentos feitos pelas alunas. Dentre os materiais analisados estão:
a) Documentos do Conselho Nacional de Educação e dos Conselhos Estaduais e Municipais
b) Artigos científicos
c) Manuais
d) Crônicas da mídia
e) Vídeos, lives, webnários, etc.



Texto coletivo elaborado pelas estagiárias acerca da atuação das EMEIS de Pelotas em tempos de pandemia.
TEXTO COLETIVO EMEIS
Para esta pesquisa, foram realizadas observações nas páginas do Facebook de trinta Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEI) do município de Pelotas/RS, no período de março até outubro de 2020, buscando saber como as mesmas estão desenvolvendo as atividades com as crianças durante este período pandêmico que estamos vivenciando. A coleta de informações foi dividida entre todas as estagiárias. Logo após, um grupo de quatro estudantes ficou responsável por sintetizar os resultados obtidos em uma tabela, constando informações e dados importantes na intenção de facilitar a visualização da pesquisa.
As trinta escolas, mesmo pertencendo à mesma rede de ensino, apresentam formas diferenciadas na realização de suas atividades remotas, isso demonstra que o município não impôs uma forma de ensino durante a pandemia, cada escola pôde se adaptar e se organizar de acordo com sua realidade. Com a suspensão das aulas, devido ao início da pandemia, as escolas começaram a se reorganizar para darem continuidade ao processo de ensino/aprendizagem, e então, passaram a fazer o uso de ferramentais digitais, tais como WhatsApp e Facebook para continuar o desenvolvimento das crianças mesmo a distância. As trinta EMEI são dispostas nos bairros da cidade da seguinte forma: nove no Fragata, sete nas Três Vendas, quatro no Areal, cinco no Centro, quatro no São Gonçalo e uma no Laranjal.
Figura 1: Mapa de distribuição de EMEI por bairro
Fonte: Elaboração de Estefânia Alves Konrad
Após observar a tabela síntese sobre as atividades das escolas de Educação Infantil do município de Pelotas, alguns aspectos podem ser inicialmente destacados: 1º, a linha do tempo das EMEIs não é o único meio de comunicação entre escolas, professoras e famílias nesse momento, logo, esta análise não pode ser usada para fazer um levantamento total de atividades. Ela representa um recorte muito específico, uma vez que a maioria das publicações analisadas foram apenas àquelas compartilhadas em modo público. O 2º ponto a destacar é o empenho e a dedicação por parte das professoras de Educação Infantil. O trabalho que essas profissionais estão desempenhando nesse momento, sem equipamentos, formação, preparo (e remuneração digna) merece reconhecimento. Em 3º lugar, observa-se o trabalho das equipes diretivas das EMEIs, que desde o início deram o seu melhor para fazer a mediação entre as professoras, a SMED e as famílias. Tarefa que “em tempos presenciais” é desafiadora, mas que nesse momento tornou-se ainda mais, dadas as especificidades do cenário.
Frequência e disponibilidade de materiais nas redes
Essa pesquisa mostra a disponibilidade de alguns materiais encontrados e compartilhados nas páginas do Facebook. Foi possível perceber que, das trinta escolas investigadas, oito não apresentam informações sobre a postagens de atividades, somente alguns avisos sobre a pandemia, como podemos observar no gráfico:
Gráfico 2: Escolas com postagens de atividades
Fonte: Elaboração de Priscila Bichet Vasconcellos
Apesar de não se ter informações de algumas escolas como demonstradas no gráfico 2, não é possível afirmar que as mesmas não estejam realizando atividades remotas, pois nossa pesquisa foi baseada em dados divulgados nas páginas de Facebook, sendo assim, podem estar fazendo envio de atividades de outra forma, utilizando-se de outras tecnologias digitais ou da entrega de material físico. Nos contatos realizados com alguns professores dessas escolas, a indicação é de que existem grupos fechados de WhatsApp, separados por turmas ou por níveis, conforme a necessidade (turmas de maternais A e B, turmas de pré-escola A e B, por exemplo).
O gráfico 3, abaixo, apresenta a utilização do Facebook pelas escolas, dos 80% de instituições que utilizam esta rede social, 96% fazem postagens das mais variadas atividades, já 4% somente utiliza seu perfil para avisos.
Gráfico 3: Utilização do Facebook
Fonte: Elaboração de Priscila Bichet Vasconcellos
Partindo disso, o gráfico 4 considera todas as análises de publicações da linha do tempo do facebook das EMEI. Ao total, 30 levantamentos foram feitos separadamente pelo grupo de estagiárias e, depois, da síntese realizada na segunda etapa, obteve-se os seguintes dados:
Gráfico 4: Frequência de postagens
Fonte: Elaboração de Tamara Insauriaga Bueno
Após realizar um levantamento das informações dispostas nessa tabela, pode-se analisar as postagens coletadas a partir de três grandes categorias. São elas:
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Postagens semanais: estão nessa categoria as EMEIs que fazem, no mínimo, uma postagem semanal, podendo ser voltada exclusivamente para pais/responsáveis, para as professoras, para as crianças ou para toda a comunidade.
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Informação indisponível: estão nessa categoria as EMEIs que não realizaram nenhum tipo de postagem no período de março até outubro, assim como aquelas que não tiveram um padrão de postagens identificado pelas colegas.
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Postagens irregulares: estão nessa categoria as EMEIs que realizam postagens em padrões irregulares de tempo, ou seja, uma vez por semana, ou uma vez por mês, ou duas por mês, EMEIs que não tiveram um padrão identificado pelas colegas.
A partir de junho/2020, com o Decreto Municipal n. 6.282/20, Art. 4° - a permissão do ensino remoto através de teletrabalhos, a orientação da SMED para as escolas é de que começassem, de forma regular, a encaminhar atividades, sendo de uma vez por semana para as turmas de maternais e de duas vezes por semana para as turmas de pré-escolas.
O gráfico 5 apresenta os recursos digitais utilizados pelas escolas pesquisadas:
Gráfico 5: Recursos digitais utilizados
Fonte: Elaboração de Larissa Soares Priebe
Em especial, estas duas redes sociais, Facebook e WhatsApp, têm sido grandes aliadas ao processo educacional, pois, hoje em dia são as redes mais acessadas e de mais fácil acesso para todos, independente de localização e classe social. Uma observação a ser ressaltada é que, a maioria das turmas de pré-escola recebem atividades via WhatsApp.
Como já salientado, não há uma forma única de prática adotada por todas as escolas, sendo assim, a forma de retorno também se torna diferenciada. Em relação a frequência das atividades enviadas pelas escolas, é possível perceber que a maioria delas faz envio semanal, algumas enviam mais de uma atividade na semana, mas, não de forma corriqueira.
Dentre as atividades, há vários vídeos com fotos de momentos vivenciados na escola, contações de história, músicas, brincadeiras e diversas atividades de prevenção e cuidado ao coronavírus. Algumas escolas permitem que as famílias utilizem o espaço dos comentários para fazer publicação de fotos e vídeos das crianças realizando atividades. Além das atividades, as escolas fazem a postagem de avisos relevantes e de incentivos à realização das mesmas.
Através de observações de compartilhamentos de atividades, tarefas e retornos referentes a essas, nas páginas de Facebook das escolas analisadas, é possível perceber que mesmo com a suspensão das aulas devido à pandemia, as atividades escolares continuaram sendo realizadas, apesar de serem efetivadas de forma virtual através de ferramentas digitais como o próprio Facebook e também o whatsApp.
É importante ponderar que existe uma grande parceria entre professores de algumas escolas observadas, nas quais a integração dos professores proporciona um diferencial muito interessante em suas produções, pois, assim, a criança tem contato com todos de uma forma alegre, rápida, produtiva e carismática. A maioria das escolas, através de suas propostas, sugerem atividades bastante divertidas com enfoque no desenvolvimento das crianças.
Este momento não tem sido fácil para ninguém, pois é novo e todos tiveram que se readequar, principalmente os professores das Escolas Públicas, mais específicas neste trabalho das Escolas Municipais de Educação Infantil de Pelotas, que tiveram que se reinventar para proporcionar atividades lúdicas que pudessem contemplar os objetivos da Educação Infantil.
Atividades comuns realizadas pelas escolas
É possível realizar uma síntese acerca do tipo de postagem realizadas no Facebook das escolas, conforme indica o Gráfico 6 a seguir:
Gráfico 6: Tipo de postagens no Facebook
Fonte: Elaboração de Juliana Aloy Berny
Conforme podemos observar no mapa, optou-se por dividir em 5 categorias: a) Mensagens afetivas (60%) – Essas se destinam aquelas mensagens postadas de teor afetivo, lembranças, vídeos e fotos que expressam saudade, carinho, como forma de promover a manutenção do vínculo comunidade X escola através da recordação de momentos vividos e mensagens motivacionais; b) Vídeo-aulas (24%) – Mensagens nas quais podemos observar que as professoras estão enviando solicitações de atividades às crianças, e que essas retornam através de fotos ou vídeos (resumo publicado pelas professoras), enviados como forma de registro daquilo que está sendo feito. Além de vídeo das professoras, com orientações quanto às atividades, visto que as videochamadas, se feitas, são efetuadas em outro canal de comunicação e não ficam registradas em canal público; c) Atividades interativas (42%) – Mensagens diferentes daquelas de vídeo-aulas, porém também direcionadas às famílias e crianças, mas com propostas interativas, como desafios, contação de histórias, brincadeiras, nas quais a comunidade interage de forma simultânea. d) Datas comemorativas (30%) – Essas postagens se referem a todas as postagens efetuadas com relação às datas comemorativas, sejam lembranças ou aquelas solicitações feitas pelas professoras, como forma de manter a relação e interação da comunidade; e) Campanhas cuidado do COVID-19 (33%) – Como o próprio enunciado diz, essas postagens se referem aos vídeos, fotos, mensagens escritas destinadas a manter a comunidade atenta e orientada quanto aos cuidados necessários que o período exige.
Muito embora algumas escolas não utilizam suas redes sociais para o envio e/ou divulgação das atividades que estão se desenvolvendo neste momento de pandemia, é visível a preocupação de todas as instituições com a saúde e bem-estar das crianças e familiares. Grande parte das publicações feitas pelas EMEIS, são de informações e devidos cuidados de proteção ao Covid-19: higiene correta das mãos, uso de álcool em gel, uso de máscaras e outros.
Também foi possível perceber o uso da rede social para divulgação de ideias de brincadeiras e atividades, o que é bastante interessante para esse momento, já que as crianças estão passando grande parte de seus tempos dentro de casa. As atividades são bem variadas, enfatizando formas de brincar em casa, com os brinquedos que já possuem, de confeccionar fantoches e brinquedos com materiais reciclados, de se prevenir do contágio do coronavirus. A literatura infantil também é uma aliada, aparecendo em atividades de contação de histórias gravadas em vídeos, especialmente.
De uma forma ou outra, essa pandemia ensinou muito a todos, aos pais de como ter paciência e muita criatividade para com seus pequenos em casa; aos educadores ensinou a se reinventar, aprender, pesquisar novas formas e possibilidades de ensino. Esta forma remota de ensinar era, até a pandemia, desconhecida por muitos, um ensino via tecnologias digitais, para o qual ninguém sabia muito bem como começar e, através de tentativas, todos foram aprendendo e inovando. Com muito esforço, conseguiram se superar, superar seus medos e inseguranças e fazerem com tanto amor e cuidado um processo pedagógico e de aproximação com as crianças e as famílias da escola. Esses profissionais fazem a diferença; merecem serem reconhecidos e homenageados.
Sem dúvida, o que mais chama a atenção é a preocupação com a saúde, pois como sabemos, o bem-estar das crianças deve ser o maior objetivo das escolas de Educação Infantil nesse momento. Isso não significa cuidar apenas dos aspectos físicos das crianças e de suas famílias, mas também da dimensão emocional. Neste sentido, as postagens de ideias de atividades e brincadeiras, as mensagens de carinho, as homenagens e o (simples) ato de demonstrar estar presente nesse momento e se preocupar com as famílias já auxilia na promoção de saúde integral de toda a comunidade escolar.
A Educação Infantil não é uma etapa de transmissão de conhecimento, muito menos de acúmulo de conteúdos, mas sim de vivências, experiências, emoções, sensações, então, se faz essencial que cuidemos a nossa atuação frente a esse momento, para que não se torne uma experiência negativa para essas crianças. Esse contexto de isolamento social em que nos encontramos torna ainda mais importante um olhar sensível e uma escuta ativa da professora para que consigamos entender a real necessidade das crianças e ofertar aquilo que realmente se faz necessário.
Em função da limitação de recursos que o momento nos impõe, muitas professoras estão recorrendo aos materiais não-estruturados para realização de atividades. Ainda que não se tenham informações sobre o retorno das crianças e famílias sobre essas atividades, destaca-se novamente o empenho das professoras em tentar incluir ao máximo todas as crianças e famílias, buscando e dando preferências para experiências com materiais de fácil acesso e baixo custo.
Partindo para a análise de aspectos comuns que chamaram minha atenção, destacamos os trabalhos desenvolvidos pelas professoras com música e com materiais não estruturados. É válido ressaltar que o trabalho com a música e com materiais não-estruturados é indispensável para Educação Infantil. Apesar disso, sabe-se que muitas vezes, na prática - ou no “antigo presencial” -, estas experiências não eram tão recorrentes por diversos motivos.
Tornou-se frequente nesse momento atividades envolvendo música. Ainda que, majoritariamente, as atividades tenham como base a reprodução/imitação por parte das crianças, sem maiores reflexões ou introduções sobre essas práticas, também foi possível identificar atividades de apreciação, composição e interpretação musical. Estas iniciativas são positivas e, talvez, possam vir a ser o início de uma diferenciação da música como recurso didático e da música como conhecimento a ser experienciado e desenvolvido com as crianças.
Quanto ao trabalho das equipes diretivas nesse momento, todas as instituições contam com profissionais qualificados e dedicados, que estão trabalhando diariamente. Mesmo assim, é possível perceber que enquanto algumas escolas buscam fazer uma gestão horizontal voltada para todos, famílias, crianças, professores e funcionários, em outras, não existe regularidade nos contatos e as relações são verticais, voltadas muitas vezes apenas aos pais, não se estendendo às crianças, professoras ou funcionários.
A partir disso, gostaríamos de expor de forma simples um pensamento que tem inundado nossas mentes a partir dessa pesquisa que foi realizada. Fazemos a defesa pelo toque humano e compreendemos a importância da mesma. Mas o uso da internet e de suas mais diversas ferramentas estão sendo o “chão” da escola de alguma maneira nos dias de hoje. Este pensamento leva ao questionamento de como estamos usando essas ferramentas? E como as crianças estão sendo alcançadas por elas?
Em conclusão, ressalta-se novamente que não se tem a intenção de criticar as práticas que estão sendo desenvolvidas nesse momento, tanto pelas professoras, quanto pelas equipes diretivas. As análises que compõem essa escrita abrangem apenas a superfície das relações que estão sendo estabelecidas nas e pelas escolas. Entende-se que estas instituições possuem especificidades, hábitos e culturas muito próprias que não foram detectadas em nossos levantamentos e que poderiam ressignificar nossas conclusões. Cada escola enfrenta uma realidade diferente e o que está sendo apresentado aqui é apenas uma parte do que essas escolas têm feito e qual o meio que elas escolheram para isso.
Embora não consigamos perceber na totalidade tudo que vem sendo feito pelas escolas, esse panorama nos permite reconhecer todos os esforços em manter fortalecidos os vínculos entre a comunidade escolar. Além disso, fica evidente que o corpo docente em sua maioria, busca reformular os meios e formas de interação com as crianças e as famílias, assim como aprender novas tecnologias para dar conta de atender as necessidades desse tempo. Entendemos que esse momento seja sobre isso, presenças possíveis.





